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Zenzai de Okinawa é diferente: tem até leite condensado

  Reprodução do release do FamilyMart Você já deve ter ouvido falar do doce japonês que a gente come como sobremesa ou lanchinho da tarde, o zenzai. É um cozido de feijão azuki, com açúcar e bolinhas de mochi. A gente pode comer quente ou gelado, tanto faz.  Logo que cheguei em Okinawa para morar, levei um susto com a diferença. O zenzai daqui é preparado com outro tipo de feijão, um pouco maior, chamado de kintoki mame ( 金時豆)  e se come gelado. É saboroso, mas diferente do arquipélago principal.  A rede Family Mart lançou o Fujiya Zenzai (富士家ぜんざい), com o kintoki mame, em copo. Segundo o texto "se pode apreciar a delícia de feijão vermelho cozido lentamente e shiratama mochi, bem como a doçura suave de gelo crocante feito do caldo". Para quem gosta do leite condensado no zenzai (nunca provei assim!), a marca está disponibilizando um pacotinho extra ao preço de 60 ienes.  Já está à venda desde o dia 16 de maio, exclusivamente nas lojas Famima de Okinawa! Custa ¥...

Okinawa: 50 anos de retorno ao Japão

 

Murasaki Mura em Yomitan

Uma vez uma amiga me perguntou: "preciso levar o passaporte pra ir a Okinawa?".  "Não", respondi. É uma província do Japão, expliquei.

Talvez na memória dela tinha algo que lhe dizia "Okinawa pertence aos Estados Unidos". De fato, esta província ao sul do país esteve sob o domínio dos EUA por 27 anos, até 14 de maio de 1972, desde o fim da Batalha de Okinawa. Foi "devolvida" ao Japão no dia seguinte, 15 de maio, quando se comemora o retorno.

Mas, parece que esse retorno teve dois aspectos: o da celebração e o do protesto. Isso se deve à expectava de correção da disparidade econômica em relação ao país e, por outro lado, a insatisfação com a continuidade das bases militares americanas.

Atualmente a população da província de Okinawa é de 1,4 milhão de pessoas e estima-se que cerca de 60% nasceram após o retorno ao Japão. Por isso, muitos não sentiram nos seus corações tantas mudanças políticas, econômicas, socais e culturais.

Do país Ryukyu à província de Okinawa 

É um povo com uma história de sofrimento. Okinawa era um país, com reinado Ryukyu. Segundo informações da página do governo "Em 1429, uma pessoa chamada Sho Hashi reuniu pessoas influentes de todo o mundo. 

Buda gigantesco no Memorial da Paz em Nanjo

Com o Castelo de Shuri como o centro do reino, Ryukyu tinha negócios com a China, Japão e outros países asiáticos para comprar e vender muitos itens. Diz-se que o porto de Naha naquela época era cheio de mercadorias trazidas do exterior e de estrangeiros. Foi um período chamado de Grande Era do Comércio. Ryukyu tinha também o nome de Lequio, registrado em fontes de documentos de Portugal".

Em 1609, Ryukyu foi invadida pelo Domínio de Satsuma – atualmente província de Kagoshima. No Japão, foi na época em que começou o Shogunato de Edo.

Durante este período, Ryukyu foi inspirado pela cultura japonesa e foi criando uma distinta.

Na era Meiji, o Reino Ryukyu que durou 450 anos desapareceu e tornou-se província de Okinawa, passando a incorporar entre as 47 do Japão. 

Domínio de 27 anos

Em março de 1945 ou ano 20 da era Showa, quando a Guerra do Pacífico estava prestes a terminar, os militares dos EUA desembarcaram em Okinawa. Uma batalha feroz foi travada e muitas pessoas morreram, incluindo cerca de 100 mil pessoas que viviam em Okinawa. Essa foi a longa e sangrenta Batalha de Okinawa. 

Foi o maior ataque anfíbio durante a campanha do Pacífico na II Guerra Mundial, de abril a junho de 1945. Foi também a maior batalha marítimo-terrestre-aérea da história. E começou o domínio americano, durando 27 anos. Nesse período foram construídas bases militares americanas, as quais permanecem até hoje. 

Cultura Ryukyu

A história e a cultura Ryukyu foram preservadas. Por isso, a cultura e os costumes ainda são praticados, embora somente os mais idosos falam o dialeto. Há um crescente movimento dos jovens de recuperar as riquezas da cultura dos ancestrais.

Mix de cultura gastronômica: taco rice, virou um dos pratos típicos de Okinawa

Felizmente, a religiosidade, o colorido dos desenhos do reino Ryukyu, a arte através da cerâmica, elementos arquitetônicos, a gastronomia, a dança, a música e muitos outros ainda são conservados ao longo dos séculos, mesmo tendo passado por batalhas que trouxeram muito sofrimento.

Povo bom demais

Ainda tenho apenas 3 anos de residência neste arquipélago lindo e de gente boa, alegre, tranquila e acolhedora. Todo dia tem sido um aprendizado! Aprendi a relaxar um pouco mais, a não fazer tudo com pressa, a apreciar a gastronomia local que adoro, a conhecer okinawanos e me relacionar bem com eles. É um povo bom, generoso e afetuoso. É um povo que aprecia a paz, afinal, já passou por tanto sofrimento...

Esse mix de culturas nas ilhas okinawanas é algo atípico da ilha principal. E isso também me encanta. Os uchinanchu convivem harmoniosamente com os militares americanos, os nikkeis são bem vistos pois muitos deles têm parentes no Brasil, Peru, Argentina, Paraguai, Bolívia, Havaí e outros. 

Bem, teria muito mais pra escrever mas o post ficou longo demais. 

Até o próximo!😎

Comentários

  1. Muito legal saber um pouco dessa história. Parabéns

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  2. Muito bom conhecer a nossa historia .

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  3. Bom conhecer um pouco da história da terra dos meus antepassados. Parabéns!

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  4. Bom Dia! Nobre irmão! Tive o prazer de conhecer este lugar lindo e maravilhoso! Onde passei meus últimos 10 dias de residência no Japão! Afinal se foram longos 15 anos de trabalho como dekasegui! Foi no intuito de conhecer minhas origens e cidades de meus antepassados! E lhe digo meu Adeus foi da melhor forma possível que vivi aí! .E digo que de todo o Japão que conheci , este lugar seria o de minha morada definitiva se um dia voltasse! Pois sua história é seu povo me fez ligar com o Coração! Amo Okinawa!

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