 |
Uma das praias do Vilarejo de Onna (Onna-son)
|
Com a chegada do período das chuvas, tsuyu em japonês, me lembrei que fez um ano como residente em Okinawa.
Vinda de Nagoia (Aichi), desembarquei no aeroporto em Naha em 25 de maio de 2019, por volta das 11h. De lá fui direto à imobiliária em Okinawa-shi para pegar as chaves do microapê e me instalar em Chatan.
Recordo que foi um momento emocionante ao abrir a porta. Trazia no peito esperança de saúde melhor, mais qualidade de vida e de novas descobertas. E nas malas minimalistas, apenas o suficiente pra recomeçar, não deixando pra trás o café e o coador. Foi a primeira coisa que preparei pra brindar a minha chegada 💖.
 |
Chegando no Aeroporto de Naha, pouco antes das 11h de 25 de maio de 2019
|
Revisei essa trajetória de um ano com muita emoção e gratidão quando recebi o resultado do exame de sangue na quinta-feira, em 28 de maio. Aconteceu um milagre, pois por dois anos amarguei resultados péssimos em relação à imunidade do meu corpo.
Embora muito magra, ao ver os números me emocionei pois me recuperei em apenas um ano! Se insistisse em continuar vivendo em Nagoia, que amo, teria que fazer um tratamento quimioterápico como me disseram 2 médicos.
Ainda bem que decidi e agi em prol da minha saúde. O que contribuiu para essa mudança é que o meu trabalho já era home office.
'Natureza do natural'
 |
Araha Beach vista do parque, em Chatan, que me acolheu, tem quase 30 mil habitantes
|
Atribuí ao ambiente à beira-mar, comidas locais mais saudáveis e ao modus vivendi do povo okinawano, ao qual fui me adaptando, como 'tá tudo bem', sem aquela dureza da rigidez do arquipélago principal. Além desses ingredientes externos importantes, atribuo à fé de que meu corpo voltaria ao normal, com minhas práticas de Ho'Oponopono, entre outras, das quais quero continuar!
Tive a sorte de conhecer pessoas maravilhosas que me inseriram nas suas vidas e criamos um laço de amizade. Isso foi e tem sido muito importante!
Só de apreciar e contemplar as lindas paisagens e a natureza a gente encontra healing, que na tradução literal é cura. Ainda não conheci todos os locais que desejo pois não viajei muito nesse um ano, embora tivesse ido para Miyako e Ishigaki. Quero voltar várias vezes para Miyakojima, um encanto de ilha!
Nos finais de semana visitei lugares lindos sim. Quero apresentá-los todos pra você que deseja visitar estas ilhas.
Por aqui o povo respeita a natureza, como ela é e se apresenta. Cuida do espiritual e da matéria, sem muitos enfeites, de forma mais simples. Chega a ser difícil de explicar em palavras. Vou fazer um post específico sobre isso.
 |
Tarde de inverno em Katsurenhiga, na cidade de Uruma
|
Delícias com sabor de natureza
O que aprecio muito são os cafés, refeitórios (shokudo) e restaurantes locais, com decoração criativa, comida simples, toques originais e uso de alimentos colhidos da natureza, bem fresquinhos. Um dos prazeres da vida pra mim é comer bem, por isso, adoro visitar esses locais!
Enfim, foi um ano de adaptação ao novo estilo de vida, mais tranquilo, com paisagens tropicais, inverno com temperatura amena (isso me ajudou muito), sem pólens que causam alergia, pássaros que cantam o dia todo, flores lindas e com cores bem acentuadas, borboletas em todo lugar, estrelas mais brilhantes, sair sem maquiagem, vestida com roupas simples e apenas com chinelos de dedo. Tudo isso foi libertador!
O que não gosto
 |
Na porta de entrada de um café em Motobu-cho
|
Mas nem tudo é só beleza, tropicaliente e alegria por aqui. Nesta época das chuvas o mofo incomoda, mesmo com desumidificador ligado. Lidar com ele tem sido um grande desafio, ainda mais que moro pertinho da praia. E mesmo fora desse período a gente tem que tomar medidas preventivas.
Me lembro que fiquei uns dias fora quando fui pra Fukuoka. Quando voltei levei um susto! Tive que lavar todas as roupas, limpar o closet e jogar fora cintos, bolsas e todos os calçados de couro natural. Pois, mesmo retirando o mofo, o cheiro ficou insuportável.
No final da primavera e durante todo o verão vem aqueles indesejáveis seres como baratas, formiguinhas, aranhas grandonas e muitos outros. Todo cuidado é pouco pra que não entrem em casa.
Não posso deixar de falar dos tufões. Antes da aproximação de um deles, a tempestade fica forte. Já sei que com ventos acima de 7 metros por segundo (25 Km por hora) não posso sair de casa. Um dia tive que me agarrar a uma palmeira até amenizar, pois seria derrubada, além de outras situações tragicômicas 😨 que passei.
Antes dele se aproximar já começa a me dar tontura, dor de cabeça e outros sintomas. Numa dessas vezes, ainda sem saber que era por causa dele, fui ao médico, o qual me encaminhou para o neurologista. Segundo ele, tenho o que se chama de meteoropatia. Pra resumir, a cada aproximação, passagem e ida dos tufões passo muito mal. Além disso, as rajadas de vento quebram vidros, a chuva provoca enchentes e inundações, por isso, nada de sair pra rua, seja a pé ou de carro. A vinda de um tufão é punk. Dica: compre alimentos e bebidas e fique em casa, de olho nos avisos e alertas.
Outra coisa é que sem carro a mobilidade fica limitada. Quando cheguei não tinha vaga no estacionamento, por isso, andava de ônibus e táxi. Assim que abriu uma vaga, meses depois de me mudar, comprei um carrinho de placas amarelas. Aí sim, agilizei um pouco mais o tempo e passei a ter mais liberdade para me locomover. Por isso, se pensa em vir a turismo ou morar aqui, o carro é essencial.
Morava no centro de Nagoia, com tudo muito iluminado e muitas facilidades. Aqui, exceto em Naha, as vias públicas são mal iluminadas, há poucas lojas de conveniência (ou nos grandes centros pode ter exagero, pois perto de onde morava tinha 5 a menos de 100 metros) e não tem UFJ Bank, o qual uso há décadas; não tem lojas de tecido como Otsukaya de Nagoia, nem outras que gostava de ir. Mas, pra falar a verdade, a gente se adapta a tudo!
Olhar no positivo e no novo
Passei a colocar meu olhar em todas as coisas boas que as ilhas oferecem, como a tranquilidade, inclusive do atendimento nas repartições públicas. Eles são bem tranquilos, o que pra uma acostumada com ritmo mais frenético dos grandes centros, me causou irritação 😁 no começo. Confesso.
 |
Um simples café em Motobu-cho veio com esse acompanhamento encantador!
|
Por aqui, comemos tudo da época, como o limão shikuwasa, pimenta (shima togarashi), beterraba, couve, goiaba, maracujá, abacaxi da ilha, chuchu, mamão e muitas folhas que nunca tinha visto antes. Quando as vejo pergunto pra alguém como preparar e faço meus experimentos na cozinha. É divertido conhecer novos sabores.
Consumo açúcar do melaço (bem pouco), sal marinho integral, cloreto de magnésio local, algas típicas daqui e comida local, como os pés de moleque, graças às quitandas da JA e refeitórios com opções diversas e muito baratas.
O post ficou longo. O que quis transmitir é que sou e estou muito feliz 😍de ter me mudado pra cá, de ter criado uma ponte para o novo eu, novo futuro e novos valores.
Sou muitíssimo grata, sinto-me abençoada 🙏 e vou continuar me cuidando para não retomar o ritmo frenético de trabalho ao estilo workaholic, até porque a idade cronológica não permite mais 😅
 |
| Uma das pontes pertinho de casa, em Chatan |
Olá, Ana! Muito interessante, sua estada em Okinawa! Quero dizer, talvez morada definitiva, pois, ninguém gostaria de deixar um paraíso com esse! Gostei da matéria! Continue nos contando sobre Okinawa! Não te conheço pessoalmente, mas, já havia lido alguns artigos em algumas revistas do Japão para brasileiros. E, também pela minha irmã que fez um curso de massagem com você. E, também pelo curso do Érico Rocha, do Fórmula! Obrigado por compartilhar esse paraíso! Abraços!
ResponderExcluirOlá Ana, adorei seu blog e espero que vc continue escrevendo, muito interessante saber sobre a ilha de Okinawa 💖 lar dos meus avós, que espero poder conhecer em breve.
ResponderExcluirUm grande abraço e se cuide.
OI ANA..... tudo bem.... hoje eu a sonia martinez a rosa.... fizemos um bate papo on line.... na próxima vou chamar vc.... tem email ou telefone (vc usa whatsap??) me passa inbox no messenger....que bom saber que está bem...bjus
ResponderExcluir