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| Kokusai Doori, em Naha, sexta-feira, às 13h07 |
Em primeiro de junho será implementado um novo estilo de vida em Okinawa, resultado do coronavírus.
Estive em Naha pela primeira vez depois da longa quarentena, na sexta-feira, 29 de maio. O que vi me partiu o coração. As lágrimas foram inevitáveis enquanto conversava com um conhecido que tem um pequeno espaço na capital da província.
Por volta das 13h a Kokusai Doori, avenida onde fica o comércio voltado para os turistas, estava praticamente vazia de pessoas e de carros trafegando. Calculo que 70% ou mais das lojas ainda estavam com portas fechadas, algumas já em reforma e outras poucas com pessoas retirando o que tinha dentro delas.
As pessoas que andavam pelas calçadas eram estudantes uniformizados, assalariados e certamente residentes locais, como eu. Vi apenas um homem arrastando uma mala de rodinhas. Talvez, um dos poucos turistas, pois, segundo os jornais locais o turismo teve uma queda de 90,9% em abril em relação ao mesmo mês do ano passado (mais de 850 mil). E o mais surpreendente foi
ZERO de turista estrangeiro, pela primeira vez na história, desde que Okinawa voltou ao continente japonês em 1972. O índice de maio ainda não saiu.
O cenário era triste demais. Como esses donos dos estabelecimentos comerciais e funcionários vão fazer daqui em diante? Certamente, muitos perderam seus empregos.
O conhecido me contou que o aluguel de um ponto nem muito espaçoso custa pelo menos 1 milhão de ienes. O local que ele ocupa, bem apertado, custa 100 mil ienes. Ele pensa em se mudar pra um local mais em conta.
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| Poucos pedestres, lojas fechadas e baixo tráfego na Kokusai Doori |
Na esperança de tomar um caldo de cana fui até o ponto na galeria Heiwa Doori. Estava fechado. Espero que reabra em breve.
Um rapaz me deu um flyer do restaurante que fica no segundo piso do mercadão central.
Depois de dar uma volta pela galeria e com uma vontade imensa de comprar coisas acabei me rendendo a uma camisa colorida, uma jaqueta e um par de chinelos. Sem querer me colocar na posição de ostentação, foi uma forma bem simples de colaborar com o comércio local. Assim tenho feito com os da minha vizinhança comprando uma marmita e procurando consumir na rua onde moro. É pouco, mas é o que está ao meu alcance agora.
Fui almoçar no restaurante do flyer, afinal o rapaz estava se esforçando para levar clientes para a casa. E foi muito bom. Pedi um chahan (arroz temperado) de camarão e me surpreendi com o volume, até com acompanhamento de uma sopa de aosai, uma espécie de alga. Ambos deliciosos!
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Sopinha de aosai e chahan de camarão
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Enquanto levava uma colher à boca a dona do estabelecimento me trouxe um pires com dois bolinhos de um tubérculo local. Disse que era em agradecimento por ter pego o panfleto e ido até lá. Fiquei comovida com seu gesto.
Metade dos restaurantes e lojas do segundo piso ainda estavam fechadas. Nas lojas do térreo, sem movimento de clientes, percebia-se nitidamente que o estoque de pescados frescos e outros alimentos tinha caído pra menos da metade do período anterior ao coronavírus. Não tinha vendedor gritando irasshaimase ou oferecendo seus produtos. O que percebi foi silêncio. Me fez falta a alegria.
Recomeço
O governador também estimula os residentes locais a visitarem as ilhas mais distantes como Daito, Ishigaki, Miyako e muitas outras, desde que não tenha temperatura corporal acima de 37 graus e use máscara sempre.
Mas, a liberação total, tanto para os visitantes de fora quanto para os residentes nas ilhas locais, acontece somente em 10 de julho e a liberação para as campanhas promocionais somente em agosto.
Tanto para o comércio quanto aos prestadores de serviço para os residentes locais e turistas o governo recomenda ações preventivas convivendo com o coronavírus, de forma a evitar contágio. É um novo começo, com um estilo de vida diferente sabendo que o inimigo invisível pode estar em todos os locais.
Por isso, nas visitas aos parques que reabrem suas portas para o público, quanto nos points de turismo e lazer, os visitantes também devem respeitar as condições de cada local como o uso de desinfetante nas mãos, máscara no rosto, não avançar em locais com restrição, conviver com plásticos transparentes nos balcões, mesas e caixas, entre outros.
O que nós residentes podemos fazer é adotar firmemente a tendência global do consumo local para não deixar morrer as micro e pequenas empresas. Em Okinawa não é diferente!
Que a alegria característica daqui volte com força!
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